A perda de um ícone do Value Investing

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O dia 7 de outubro foi marcado por uma notícia muito triste para aqueles que acompanham de perto o mercado financeiro: o falecimento de Pedro Damasceno, aos 47 anos, vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Ele era um dos nomes mais importantes da gestora que inseriu o conceito de value investing no Brasil e que é a número 1 em termos de rentabilidade. Desde a sua fundação (01/09/1993), o Dynamo Cougar rende 2.145.068%, contra 74.841% do Ibovespa e 178.461% do CDI.

Um amigo que era próximo ao Pedro Damasceno sintetizou muito bem este momento e escreveu quais foram os seus maiores aprendizados com ele.

Esse amigo em questão é o Thiago Salomão, Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P, responsável pela Carteira Recomendada Infomoney e professor do curso “Como montar uma Carteira de Ações Vencedora”.

Para ter acesso a esse conteúdo e a também uma entrevista que o Thiago fez com o Pedro, acesse os dois links a seguir:

http://www.infomoney.com.br/blogs/bolsa/o-investidor-de-sucesso/post/6997083/homenagem-maiores-aprendizados-que-tive-com-pedro-damasceno

http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/6997085/confira-transcricao-entrevista-concedida-por-pedro-damasceno-infomoney

Abaixo separei alguns trechos dos livros “Fora da Curva” de Florian Bartunek, Giuliana Napolitano e Pierre Moreau e “Conversa com gestores de ações brasileiros” de Luciana Seabra onde o Pedro Damasceno expôs a filosofia de investimentos da Dynamo.

“Uma crítica que fazem à Dynamo é que analisamos muito e investimos pouco, ou seja, que nossa exposição a risco é pequena. Como acertamos mais que erramos, se comprássemos mais ações, nosso rendimento seria maior. Verdade, mas é fácil dizer isso olhando pelo retrovisor. Avaliamos risco de forma diferente. Não consideramos a volatilidade de preços uma medida de risco adequada, porque, entre outras coisas, temos um horizonte de investimento de longo prazo: assim, se o preço dos papéis de uma empresa que consideramos promissora cai, aproveitamos para comprar mais. O risco maior é haver algum problema com a estratégia da companhia: ela está perdendo mercado para os concorrentes? Existe o risco de ruptura do negócio? Endividou-se demais? Mudou a direção e os novos executivos não parecem confiáveis? Com base nesse tipo de análise é que avaliamos o tamanho da posição no fundo, ou seja, o tamanho do risco que estamos dispostos a correr em determinada companhia. A análise de risco é mais estratégica que paramétrica.”

“Em momento de crise, como que o Brasil viveu em 2015 e vive em 2016, é difícil ter uma visão construtiva. Os meios de comunicação trazem todo dia notícias ruins, a dinâmica nas empresas passa a ser outra, com corte de custos, demissões etc. Em momentos assim, aumentamos ainda mais a intensidade do nosso trabalho de análise, mergulhando profundamente nas companhias de forma a estar mais preparados que nunca para tirar proveito das oportunidades que costumam aparecer nessas horas. O outro lado da moeda dessas crises é que os preços das ações caem, o que torna possível investir em boas empresas pagando preços razoáveis. Assim, os bons e rentáveis casos de investimentos são usualmente construídos nessas épocas. Foco, trabalho, pensamento independente, tudo isso é fundamental nesses tempos tão difíceis.”

“Eu escuto isso de muitos amigos: ‘Eu quero ganhar dinheiro para, aos quarenta anos, parar de trabalhar’. A gente não quer parar de trabalhar. A gente gosta muito disso aqui. Também não é algo assim: ‘Ah, vamos transformar a Dynamo em um negócio perene’. Dado que é um prazer muito grande, é o estilo de vida de todo mundo, por que não? Não é: ‘Vamos transformar em um negócio perene e depois ver o que a gente faz’. Dado que é um negócio que a gente tem como projeto de vida, tem um prazer muito grande de fazer, pode, sim, se tornar um negócio perene.”

“Você tem de ser forjado para o tipo de atividade que a gente faz, que, aos olhos de muita gente, é uma atividade repetitiva… O que acho que a gente conseguiu fazer aqui é ter uma cultura bastante única, que envolve tanto a parte prática – porque a remuneração é muito mais pela contribuição da pessoa para o processo de análise ao longo do tempo do que por uma coisa mais imediatista – quanto um ambiente em que a senioridade vem muito mais do argumento do que do tempo que você tem de casa. Então é um lugar onde as pessoas, ainda muito cedo e jovens, estão expostas a tudo o que está acontecendo e podem, de fato, participar. Esse tipo de ambiente leva você, ao longo do tempo, a dizer: gosto disso, o ambiente é legal. Aí é uma coisa virtuosa. E é essa construção que gera uma paixão pelo que você faz.”

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Paulo Garcia
Paulo Garcia
Me chamo Paulo Garcia, sou graduado em engenharia química e apaixonado pelo mercado financeiro. Essa paixão surgiu quando comecei a trabalhar em um fundo de investimento de ações em 2014. Eu acredito que investir em ações é a melhor forma de construir riqueza e patrimônio pensando sempre no longo prazo.

6 Comentários

  1. Grande exemplo a seguir, era uma dos grandes mestres do value investing, fantástico,

    Abraço e bons investimentos

  2. Assisti ontem este vídeo com o Damasceno.

    Uma perda e tanto para o mercado brasileiro…

  3. Olá Paulo,

    Esse Dynamo Cougar é bem famoso mesmo. Os resultados falam por si só.

    É uma perda e tanto.

    Abçs!

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